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Acidentes de trânsito em Minas custaram R$ 1,34 bi ao SUS

Acidente de trânsito na BR-040

Reportagem do jornal Estado de Minas revelou o impacto dos acidentes de trânsito na economia e no sistema público de saúde. Entre 2015 e 2025, o estado registrou 210.293 internações hospitalares por acidentes de transporte no sistema público de saúde — uma média de 19.117 internações por ano. O ano de 2025 marcou um recorde preocupante, com 21.387 internações, o maior número da série histórica analisada.

Os dados do Grupo IAG Saúde, que combina informações do DataSUS e da Plataforma Valor Saúde Brasil, revelaram números que expõem a magnitude da crise de segurança viária em Minas Gerais. Ao longo deste período, 3.966 pessoas morreram em decorrência dessas internações, representando uma taxa média de mortalidade hospitalar de 1,9%.

O impacto financeiro é igualmente devastador. O sistema público de saúde desembolsou R$ 484,7 milhões em remuneração aos prestadores. Porém, esse valor representa apenas a fração paga pelo SUS. Quando se aplica o custo assistencial real calculado pela plataforma, o montante estimado dos atendimentos salta para R$ 1,347 bilhão somente no período de 2021 a 2025.

A diferença é abismal: enquanto a remuneração média por internação pelo SUS foi de R$ 2.304,83, o custo médio estimado pela plataforma, baseado na complexidade dos casos e no consumo de recursos hospitalares, foi de R$ 13.163,28 — quase seis vezes maior.

O perfil das vítimas

Entre 2021 e 2025, Minas registrou 53.432 internações por acidentes. O perfil dessas vítimas é predominantemente masculino: 73,3% dos pacientes são homens, com idade média de 35,4 anos. Entre motociclistas, essa proporção sobe para 84,3%, com média de apenas 33,2 anos.

Os acidentes provocam principalmente lesões musculoesqueléticas e traumatismos. Cirurgias de membros inferiores e úmero lideraram com 18,3% dos casos, seguidas por fraturas, entorses e distensões (14,2%) e cirurgias de ombro, cotovelo ou antebraço (8,1%).

A complexidade do atendimento

Entre 2021 e 2025, 13% dos pacientes internados (6.932) por acidentes de transporte precisaram de UTI. A mesma proporção utilizou ventilação mecânica, totalizando 6.933 casos. A permanência média de internação foi de 7,1 dias.

Motociclistas representam uma proporção desproporcional: são 20.086 internações (37,6% do total), mas respondem por 38% das mortes (564), 45,4% das internações em UTI (3.150), 48,5% dos casos com ventilação mecânica (3.364) e 58,3% do custo assistencial estimado (R$ 410,3 milhões).

Entre 2015 e 2025, motociclistas registraram 114.822 internações (54,6%) e 1.328 mortes no sistema público de Minas.